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Desigualdades raciais no diagnóstico e tratamento: o peso do racismo na saúde.

O diagnóstico antecipado é um dos elementos mais cruciais para o êxito no tratamento do câncer. Porém, no Brasil, a etnia ainda afeta o acesso a esse direito básico. Pesquisas indicam que tanto homens quanto mulheres negras costumam receber diagnósticos mais tardios e têm menos acesso a tratamentos eficazes e tecnologias avançadas em relação à população branca.


Conforme informações do Instituto Nacional de Câncer (INCA), a taxa de mortalidade por câncer é superior entre as pessoas negras em vários tipos de tumor, como o de mama e o de próstata. Uma das principais causas dessa situação é a desigualdade social e estrutural, que se reflete no sistema de saúde, desde o atendimento nas unidades básicas até o encaminhamento para exames específicos.


“O racismo institucional está presente em cada fase do cuidado. Ele determina quem é escutado, quem é levado a sério e quem pode acessar recursos. Isso afeta diretamente a sobrevivência das pessoas negras que enfrentam o câncer”, esclarece a médica oncologista e pesquisadora especializada em equidade racial na saúde.

As barreiras vão desde preconceitos no atendimento até a falta de políticas públicas voltadas para combater o preconceito racial no cuidado oncológico. Mulheres negras, por exemplo, tendem a descobrir o câncer de mama em estágios mais avançados, muitas vezes devido à dificuldade de acesso à mamografia, menor frequência de check-ups ginecológicos e à ausência de campanhas específicas.


Outro dado alarmante provém do Atlas de Mortalidade por Câncer, que indica que as mulheres negras apresentam uma maior frequência de diagnósticos tardios e interrupções nos tratamentos, seja pela falta de transporte, pela ausência de apoio familiar ou pelo abandono de tratamento devido à sensação de desrespeito no sistema de saúde.


Além da questão estrutural, existe também um fator simbólico: a ideia de que as pessoas negras "suportam mais dor" ou "têm menor risco" em relação a certas doenças. Essas crenças, embora desprovidas de fundamentação científica, ainda afetam decisões médicas e retardam diagnósticos.


Especialistas argumentam a favor de uma abordagem antirracista na saúde pública, com protocolos de atendimento que levem em consideração as desigualdades raciais, além da formação de profissionais que estejam cientes dos efeitos do racismo estrutural.


“Promover a equidade na saúde é assegurar que todos tenham as mesmas condições para viver e receber tratamento. É reconhecer que o racismo provoca adoecimento e que combatê-lo é salvar vidas”, declara Ireuda Silva, vereadora e presidente da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher da Câmara Municipal de Salvador.


Enquanto o país não enfrentar essas desigualdades através de políticas afirmativas e investimentos em educação e saúde, o câncer continuará a ser mais mortal para aqueles que já carregam, em suas raízes, o peso histórico da exclusão.

 
 
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