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“As ofensas que recebo são por eu ser mulher, não pela minha conduta”, afirma ministra Cármen Lúcia


Durante o Fórum Nacional de Juízas e Juízes de Violência Doméstica e Familiar Contra a Mulher, a ministra do Supremo Tribunal Federal (STF), Cármen Lúcia, fez um forte pronunciamento sobre o caráter misógino das ofensas que sofre ao longo de sua trajetória pública.

Segundo a ministra, os ataques que recebe não estão relacionados ao seu desempenho profissional ou à sua conduta pessoal, mas sim ao fato de ser mulher em um espaço historicamente ocupado por homens.

Ela destacou que, ao longo de sua atuação no Judiciário e especialmente quando esteve à frente de cargos de liderança, presenciou e recebeu inúmeras denúncias de violência contra mulheres, inclusive no ambiente institucional e político.

Violência de gênero no espaço público

Cármen Lúcia ressaltou a diferença entre as críticas direcionadas a homens e mulheres em posições de poder. Enquanto homens costumam ser atacados por decisões administrativas ou políticas, as mulheres são alvo de discursos sexistas, machistas e misóginos, que questionam sua moral, aparência e condição feminina.

Para a ministra, esse tipo de ataque não tem relação com competência ou atuação profissional, mas reflete uma estrutura social que ainda não trata homens e mulheres em igualdade de condições, especialmente no meio jurídico e no serviço público.

Violência como sintoma de um problema estrutural

Em sua fala, a ministra propôs uma reflexão mais profunda sobre a origem da violência contra as mulheres. Para ela, a violência visível é apenas o sintoma de uma doença social mais ampla, enraizada no ódio, no preconceito e na desigualdade de gênero.

Ela defendeu que o enfrentamento à violência não pode se limitar à punição dos atos, mas deve incluir a compreensão das causas e a transformação das mentalidades que perpetuam esse comportamento, inclusive para evitar que padrões de agressão se repitam em novos relacionamentos.

Autenticidade e resistência feminina

Ao mencionar comentários depreciativos que já recebeu sobre sua aparência, como críticas ao cabelo branco, a ministra afirmou que não pretende se encaixar em padrões impostos por outros. Envelhecer, segundo ela, faz parte da vida, e aceitar sua própria imagem é também um ato de liberdade e resistência.

Sua fala foi marcada pela defesa da autenticidade, da dignidade feminina e do direito das mulheres de ocuparem espaços de poder sem serem alvo de violência simbólica, moral ou institucional.

Um alerta necessário

O posicionamento da ministra reforça a importância de reconhecer que a violência contra as mulheres se manifesta de diversas formas — físicas, psicológicas, morais e simbólicas — e que todas precisam ser enfrentadas de maneira firme e contínua.

O Forte por Ser Mulher segue comprometido em dar visibilidade a vozes femininas que denunciam desigualdades e fortalecem a luta por respeito, equidade e justiça.

 
 
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