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Mulheres negras são 29% da população brasileira, mas apenas 3% da liderança corporativa

photo by: IA


Mulheres Negras na Liderança: O Que Realmente Mudou?

Segundo o estudo “Diversidade, Representatividade e Percepção – Censo Multissetorial da Gestão Kairós”, embora mulheres negras representem 29% da população brasileira, elas ocupam apenas 3% dos cargos de liderança nas empresas – posições que vão do nível gerencial para cima.

Esse dado revela um abismo estrutural ainda presente, mesmo em tempos de tantos discursos sobre equidade, ESG (ambiental, social e governança) e responsabilidade social.


O Legado de Tereza de Benguela

Desde 2014, o Brasil reconhece oficialmente o Dia Nacional de Tereza de Benguela e da Mulher Negra, celebrado em 25 de julho. A data homenageia uma das grandes lideranças quilombolas do século 18: Tereza, que comandou o Quilombo do Quariterê, no Mato Grosso, após a morte de seu companheiro.

Sob sua liderança, negros e indígenas resistiram à escravidão por décadas. Embora silenciada na história oficial por muito tempo, sua trajetória hoje nos inspira a refletir sobre o papel da mulher negra como líder, estrategista e símbolo de resistência.


Entre Invisibilidade e Resistência

Mesmo com tantos avanços, as mulheres negras que chegam à liderança ainda são tratadas como exceção, quase como um fenômeno. Isso porque, historicamente, o Brasil subtraiu a mulher negra do campo simbólico da liderança – algo que ainda ecoa nas estruturas de poder atuais.

E aqui cabe uma pergunta incômoda e necessária:O que de fato mudou? E o que seguimos fingindo que mudou?

Como bem aponta a autora Liliane Rocha, CEO da Gestão Kairós, é difícil encontrar uma mulher negra que ocupe o cargo de CEO em empresas com faturamento bilionário. Um exemplo raro é Taciana Medeiros, atual CEO do Banco do Brasil.


Violência Estrutural Também É Violência Contra a Mulher

Esse cenário de ausência de representatividade não é apenas um problema simbólico – é uma forma de violência estrutural. A pesquisa “Visível e Invisível: A Vitimização de Mulheres no Brasil” revela que entre 2024 e 2025, 21,4 milhões de brasileiras foram vítimas de algum tipo de violência. Dentre elas, 37,2% eram mulheres negras.

A violência contra a mulher vai além da agressão física. Ela também está presente na negação de oportunidades, na supressão de segurança financeira, no apagamento simbólico e histórico. E nesse contexto, o recorte racial é inegociável.


Quando a Representatividade Acontece

Apesar dos desafios, há avanços que merecem ser celebrados. Neste mês de julho, a própria Liliane Rocha participou de um painel promovido pela empresa Vivo, no qual todas as participantes da plateia eram mulheres negras profissionais da companhia.

Ela descreveu o momento como inédito em seus 20 anos de carreira. Acostumada a falar sobre diversidade para plateias majoritariamente brancas e masculinas, estar diante de tantas mulheres negras, dentro de uma grande empresa, foi um marco simbólico de mudança real.


Diversidade Como Inteligência de Negócio

A presença de mulheres negras nas empresas não é apenas uma questão de justiça social, mas também de estratégia empresarial. Se mulheres negras são 29% da população brasileira e a população negra movimenta um potencial de consumo estimado em R$ 1,9 trilhão ao ano, por que não incluí-las na construção das estratégias corporativas?

Promover inclusão, neste cenário, é agir com inteligência de mercado.


Forte por Ser Mulher reforça esse compromisso: ampliar vozes, visibilizar trajetórias e questionar as estruturas que ainda negam espaço às mulheres negras. Afinal, não basta celebrar um dia no ano — é preciso transformar todos os dias.

 
 
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