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Empreendedorismo negro: indústria criativa cresce 18,9% na Bahia e especialista aponta oportunidades para afroempreendedores

Com economia criativa aquecida, fundadora da Afrocentrados lança hub digital para impulsionar marcas negras no estado


Salvador – 20/02/2026


O avanço da indústria criativa na Bahia tem aberto novas perspectivas para o empreendedorismo negro. De acordo com dados da Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro, o setor apresentou expansão média de 18,9% no estado, consolidando a Bahia entre os principais polos criativos do país.


Apesar dos números positivos, especialistas alertam que o crescimento nem sempre se traduz em autonomia financeira para empreendedores negros, que ainda enfrentam desafios estruturais e operam, muitas vezes, em cenário de subsistência.


Crescimento com desigualdade

Segundo o estudo “Mapeamento da Indústria Criativa no Brasil”, a Bahia manteve desempenho acima da média nacional e figura entre os estados com maior participação de profissionais da cultura na economia criativa.

Para a empreendedora Cynthia Paixão, fundadora da Afrocentrados Conceito, o crescimento do setor revela potencial, mas também evidencia lacunas.

“O estudo mostra uma Bahia rica em criatividade, mas o retorno para o empreendedor negro ainda é fraco. Esse produtor aparece nas estatísticas, mas segue pouco assistido e sem formação para escalar sua influência”, avalia.

Ela destaca que, embora a indústria criativa movimente bilhões, muitos profissionais não conseguem transformar talento em autonomia financeira. “Criatividade sem estrutura vira sobrevivência”, pontua.


De loja colaborativa a hub de inovação afro

Com cinco anos de atuação em Salvador, a Afrocentrados iniciou como loja colaborativa voltada para marcas autorais e agora passa por uma reformulação estratégica. A proposta é se consolidar como o primeiro hub digital de impacto e inovação afro da Bahia.

A nova fase inclui o lançamento do “Afrocentrados Hub”, um marketplace exclusivo para marcas negras do estado. A plataforma foi desenvolvida em parceria com a empresa de tecnologia WBuy e está em fase de adesão de empreendedores.

O objetivo é ampliar a presença digital das marcas e conectar produtores locais a consumidores em todo o país e no exterior.

“A ‘Afrocentrados Hub’ nasce para corrigir uma distorção histórica: o talento negro sustenta estatísticas, mas não acessa escala. Queremos profissionalizar, acelerar e conectar marcas negras a um mercado real”, explica Cynthia.


Integração físico e digital

O projeto aposta no modelo “phygital” — integração entre loja física e ambiente digital — como estratégia de sustentabilidade do negócio. O espaço físico segue funcionando no Shopping Bela Vista, em Salvador, enquanto o e-commerce amplia o alcance das marcas.

Atualmente, o hub reúne empreendimentos autorais e amplia sua atuação com a chegada de novas marcas à plataforma, consolidando-se como canal estruturado de multicomercialização e visibilidade.


Economia criativa e impacto social

Dados da UNESCO apontam que a economia criativa movimenta cerca de US$ 2,25 trilhões anuais no mundo. Na Bahia, o período de Carnaval reforça o potencial do setor, impulsionando negócios ligados à cultura, moda, artesanato e produção autoral.

Para Cynthia, no entanto, crescimento econômico só se traduz em desenvolvimento quando há equidade.


“Os números mostram crescimento, mas crescimento sem equidade não é desenvolvimento. A Bahia pulsa criatividade negra e movimenta a economia, mas ainda falha em transformar esse potencial em autonomia financeira para quem está na base. Nosso compromisso é transformar talento em negócios sustentáveis e a cultura em oportunidade real para a comunidade afrobrasileira”, conclui.


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