Declaração de jogador sobre árbitra reacende debate sobre machismo no futebol brasileiro
- FORTE POR SER MULHER

- há 23 horas
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Uma declaração do zagueiro Gustavo Marques, do Red Bull Bragantino, após partida válida pelas quartas de final do Campeonato Paulista, provocou forte repercussão e reacendeu o debate sobre a presença e o respeito às mulheres no futebol profissional. O episódio ocorreu depois do confronto contra o São Paulo, que contou com arbitragem da árbitra Daiane Muniz.

Durante entrevista na saída de campo, o defensor criticou a condução da partida e afirmou que “não adiantaria colocar uma mulher para apitar um jogo desse tamanho”, comentário interpretado por torcedores, profissionais da imprensa e movimentos sociais como machista por associar a atuação da arbitragem ao gênero da árbitra.
A fala ganhou ampla circulação nas redes sociais e foi rapidamente contestada por internautas e especialistas, que destacaram que a avaliação de desempenho de profissionais deve ocorrer com base em critérios técnicos e não em características pessoais, como o sexo ou identidade de gênero.
O episódio ocorre em um contexto de avanços graduais da presença feminina no futebol brasileiro. Nos últimos anos, árbitras têm conquistado maior espaço em competições nacionais e internacionais, demonstrando preparo técnico e contribuindo para a construção de um ambiente esportivo mais diverso. Ainda assim, situações de deslegitimação e comentários discriminatórios seguem sendo registrados, evidenciando barreiras culturais persistentes.

Para pesquisadoras e organizações que atuam na defesa dos direitos das mulheres, declarações desse tipo reforçam estereótipos históricos que questionam a capacidade feminina em espaços tradicionalmente masculinizados, como o futebol. Mais do que um comentário isolado, o caso revela a necessidade de ampliar discussões sobre igualdade de oportunidades, respeito profissional e combate ao machismo estrutural no esporte.
A presença de mulheres na arbitragem representa não apenas diversidade, mas também transformação cultural. Ao ocupar posições de liderança e tomada de decisão dentro de campo, árbitras contribuem para redefinir padrões e inspirar novas gerações a participarem do esporte em diferentes funções.
Diante da repercussão, o episódio reforça a importância de posicionamentos institucionais, ações educativas e responsabilização quando necessário, para garantir que o futebol avance como um espaço de respeito, inclusão e equidade.
No cenário mais amplo, o caso dialoga com a luta cotidiana de mulheres por reconhecimento profissional em múltiplas áreas. Assim como no esporte, a busca por igualdade envolve enfrentar discursos que tentam reduzir competências a questões de gênero, desconsiderando trajetória, formação e desempenho.
A discussão provocada pela declaração evidencia que a transformação cultural passa também pela forma como se fala, se reconhece e se respeita o trabalho feminino. No futebol e fora dele, o debate permanece atual: competência não tem gênero.
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