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Declaração de jogador sobre árbitra reacende debate sobre machismo no futebol brasileiro

Uma declaração do zagueiro Gustavo Marques, do Red Bull Bragantino, após partida válida pelas quartas de final do Campeonato Paulista, provocou forte repercussão e reacendeu o debate sobre a presença e o respeito às mulheres no futebol profissional. O episódio ocorreu depois do confronto contra o São Paulo, que contou com arbitragem da árbitra Daiane Muniz.

Reprodução: Innstagram
Reprodução: Innstagram

Durante entrevista na saída de campo, o defensor criticou a condução da partida e afirmou que “não adiantaria colocar uma mulher para apitar um jogo desse tamanho”, comentário interpretado por torcedores, profissionais da imprensa e movimentos sociais como machista por associar a atuação da arbitragem ao gênero da árbitra.

A fala ganhou ampla circulação nas redes sociais e foi rapidamente contestada por internautas e especialistas, que destacaram que a avaliação de desempenho de profissionais deve ocorrer com base em critérios técnicos e não em características pessoais, como o sexo ou identidade de gênero.


O episódio ocorre em um contexto de avanços graduais da presença feminina no futebol brasileiro. Nos últimos anos, árbitras têm conquistado maior espaço em competições nacionais e internacionais, demonstrando preparo técnico e contribuindo para a construção de um ambiente esportivo mais diverso. Ainda assim, situações de deslegitimação e comentários discriminatórios seguem sendo registrados, evidenciando barreiras culturais persistentes.

Reprodução: Ari Ferreira/Red Bull Bragantino
Reprodução: Ari Ferreira/Red Bull Bragantino

Para pesquisadoras e organizações que atuam na defesa dos direitos das mulheres, declarações desse tipo reforçam estereótipos históricos que questionam a capacidade feminina em espaços tradicionalmente masculinizados, como o futebol. Mais do que um comentário isolado, o caso revela a necessidade de ampliar discussões sobre igualdade de oportunidades, respeito profissional e combate ao machismo estrutural no esporte.

A presença de mulheres na arbitragem representa não apenas diversidade, mas também transformação cultural. Ao ocupar posições de liderança e tomada de decisão dentro de campo, árbitras contribuem para redefinir padrões e inspirar novas gerações a participarem do esporte em diferentes funções.


Diante da repercussão, o episódio reforça a importância de posicionamentos institucionais, ações educativas e responsabilização quando necessário, para garantir que o futebol avance como um espaço de respeito, inclusão e equidade.


No cenário mais amplo, o caso dialoga com a luta cotidiana de mulheres por reconhecimento profissional em múltiplas áreas. Assim como no esporte, a busca por igualdade envolve enfrentar discursos que tentam reduzir competências a questões de gênero, desconsiderando trajetória, formação e desempenho.


A discussão provocada pela declaração evidencia que a transformação cultural passa também pela forma como se fala, se reconhece e se respeita o trabalho feminino. No futebol e fora dele, o debate permanece atual: competência não tem gênero.

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