Soldado denuncia oficial da PM por assédio e agressão: violência de gênero também atravessa instituições de poder.
- FORTE POR SER MULHER

- há 8 horas
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Uma denúncia grave envolvendo um oficial da Polícia Militar do Tocantins expõe, mais uma vez, como estruturas hierárquicas podem se tornar ambientes de vulnerabilidade para mulheres.
Uma soldado acusa o tenente-coronel Adão Pereira dos Santos de assédio, importunação sexual e agressão física durante uma confraternização. Segundo o relato, o episódio teria culminado em um tapa no rosto após a recusa a um beijo forçado.
Quando o “não” não é respeitado
De acordo com a vítima, o comportamento do superior começou com insistências e perguntas de cunho pessoal, evoluindo para constrangimento e pressão psicológica.
O relato revela um padrão comum em casos de assédio: a insistência após a negativa. Ao afirmar que ele tinha “0% de chance”, a soldado estabeleceu um limite claro — que, segundo a denúncia, não foi respeitado.
Esse tipo de situação evidencia uma questão estrutural: quantas mulheres conseguem dizer “não” sem sofrer retaliações — ainda mais em ambientes marcados por hierarquia rígida, como o militar?
Hierarquia, poder e silêncio
O caso ganha contornos ainda mais delicados por envolver uma relação de subordinação. Em instituições como a Polícia Militar, a diferença de patente pode ampliar o medo de denunciar, reforçando ciclos de silêncio e impunidade.
A vítima está atualmente afastada e em acompanhamento psicológico — um reflexo do impacto que situações de violência podem gerar, não apenas fisicamente, mas também emocionalmente.
Enquanto isso, o oficial denunciado segue em atividade, e o caso tramita tanto na Justiça Militar quanto na Delegacia da Mulher.
O que dizem as instituições
A Polícia Militar do Tocantins informou que adotou medidas dentro de suas competências legais e acompanhou o caso institucionalmente. Já a defesa do oficial afirma que ele é inocente e destaca que não há decisão judicial definitiva, ressaltando que o processo ocorre sob segredo de Justiça.
Um problema que vai além de um caso isolado.
Casos como esse não são exceção — são parte de um cenário mais amplo de violência de gênero no ambiente de trabalho, especialmente em espaços tradicionalmente masculinos.
A combinação de poder, hierarquia e cultura institucional pode dificultar denúncias e proteger agressores. Por isso, discutir esses episódios publicamente é também pressionar por mudanças estruturais.
Mais do que responsabilização individual, é fundamental questionar:as instituições estão preparadas para proteger mulheres — inclusive quando o agressor está dentro delas?
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