Psicólogo morre após denunciar racismo em camarote de Salvador.
- FORTE POR SER MULHER

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Manoel Neto era psicólogo formado pela UFRB
O carnaval de Salvador em 2026 terminou trazendo ótimos resultados tanto na esfera econômica quanto no setor turístico para a Bahia, além de ter gerado relatos emocionantes sobre a celebração e deixado uma sensação de nostalgia para aqueles que vivenciaram de perto a vibrante cultura baiana.
Contudo, dois incidentes de racismo ocorridos em camarotes na cidade baiana ressaltaram um aspecto diferente da festividade, que geralmente é marcada pela alegria e hospitalidade que Salvador sempre ofereceu.
No dia 17 de fevereiro, o psicólogo Manoel Neto recorreu a suas plataformas sociais para compartilhar suas emoções sobre um incidente no Camarote Ondina, que faz parte do percurso Barra-Ondina. Tragicamente, o profissional tirou a própria vida horas depois de denunciar a situação, que alegadamente ocorreu no dia anterior, 16 de fevereiro.
Em seu sincero desabafo no Instagram, ele inicia com a frase: “A felicidade do branco é completa, a felicidade do negro é QUASE”. A partir deste ponto, o psicólogo detalha os eventos da noite em questão. Conforme suas palavras, a festa estava agradável, com música de qualidade e a vibrante atmosfera típica do carnaval.

Ele relata que passou um período considerável conversando com os membros da equipe do camarote e se envolvendo com aqueles que “faziam a festa acontecer”. “Quando percebia algum conflito originado de pessoas negras, eu me esforçava para ir dialogar, acalmar e enfatizar que nossa felicidade — ao menos naquele dia — deveria ser completa. Entretanto, às vezes, um sonho permanece no reino dos sonhos”, ele escreveu.
No relato de Manoel, ele menciona que tentou atravessar uma multidão, pedindo licença, quando um homem branco desconsiderou seu pedido, repetidamente.
“Naquele momento, lembrei: sou um homem negro. Eles valorizam minha agressividade e não minha gentileza. Abro caminho e, encarando-o, digo com fúria: “você vai me deixar passar? Quando eu pedi que me deixasse passar, você deveria ter deixado. Você não me vê? Ou preciso usar a força?” E, como num truque de mágica, consigo prosseguir. Eles têm respeito por nossa raiva; e toda a restante é desumanidade”, ele descreveu.
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