Pai de aluno e diretora são indiciados por morte de adolescente vítima de injúria e ameaça em escola.
- FORTE POR SER MULHER

- 14 de mai.
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A Polícia Civil concluiu o inquérito que apura a morte da adolescente Maria Eduarda Suzarte Nascimento Silva, de 14 anos, em Ilhéus, no sul da Bahia. O relatório, datado da última quinta-feira (7), indiciou um homem e três funcionárias do Colégio Status, onde a jovem estudava.
As três indiciadas são a diretora do colégio, Gildelina Reis Nascimento, a coordenadora Deborah Tavares Santos e a psicóloga da instituição, Silvania dos Santos Nascimento. O homem indiciado por ameaça e constrangimento ilegal é o pai do estudante suspeito de perseguir Maria Eduarda.
Ele esteve presente em uma reunião na qual a vítima teria sido “ameaçada e constrangida a pedir perdão ao seu agressor”. A situação ocorreu após o homem encontrar uma carta enviada por Maria ao filho, na qual, segundo ele, havia “coisas horríveis”. Na mensagem, a adolescente pedia que o jovem, de 17 anos, parasse de persegui-la.
Em depoimento à polícia, ele afirmou que a diretora colocou a menina para pedir desculpas ao filho após a reclamação sobre o conteúdo da carta. Indiciou-se que a jovem morreu na noite do dia 11 de junho de 2025. Em seus últimos momentos de vida, ela chegou a relatar a uma testemunha que enfrentava problemas no colégio que haviam lhe causado desgaste emocional.
Em seu relato, ela contou que não conhecia previamente a jovem e que ela vestia o uniforme do Colégio Status no momento em que atentou contra a própria vida. Enquanto conversavam, Maria teria dito “que tinha um problema na escola”, “que havia um aluno que ficava alisando e passando a mão nela”, “que ele ficava na porta do banheiro feminino esperando ela sair e que não adiantava pedir para ele parar com aquilo”, além de afirmar “que também tinha problemas em casa”.
Além da situação envolvendo a importunação, as investigações da 1.ª Delegacia Territorial de Ilhéus apontam que Gildelina teria discriminado a jovem em razão de sua sexualidade, visto que Maria Eduarda era assumidamente bissexual, além de outros estudantes homossexuais e negros. A diretora foi indiciada por instigação ao suicídio, injúria racial, racismo, ameaça, injúria e constrangimento ilegal.
"Tudo que se disse sobre a instigação é cabível à senhora GILDELINA, acrescentando que ela, quando perguntada pela vítima se desejava que se esfaqueasse, teria dito para fazer."
Trecho do inquérito policial.
A coordenadora foi indiciada por instigação ao suicídio e injúria. Já à psicóloga foram atribuídos os crimes de instigação ao suicídio e violação de segredo profissional, uma vez que a apuração concluiu que Silvania repassava para Gildelina informações confidenciais relatadas por estudantes.
“Todos os envolvidos respondem ao inquérito policial em liberdade e seguem à disposição do Poder Judiciário”, informou a Polícia Civil.
o Colégio Status afirmou que se tornou, assim como seus funcionários, alvo de “injúrias, difamações e calúnias por meio de discursos de ódio”. A escola informou ainda que estava colaborando com as investigações da Polícia Civil, fornecendo documentos e depoimentos para o esclarecimento do caso.
No posicionamento, a instituição afirmou que a jovem possuía um “histórico de problemas que existiam antes mesmo de estudar em nosso colégio” e que questões particulares dela teriam sido negligenciadas pela família.
“De fato, eles não estavam lá quando Maria precisou, não estavam lá quando a escola tentou avisar e ajudar. Apareceram tão somente agora, tentando incriminar quem, ao contrário deles, tentou se fazer presente na vida de Maria”, argumenta a nota.
Confira o posicionamento completo da escola:
"O COLÉGIO STATUS, em respeito aos nossos alunos, amigos, colaboradores e todos que fazem parte da construção da nossa história, vem a público esclarecer diversas injúrias, difamações e calúnias por meio de discursos de ódio dos quais está sendo alvo a nossa instituição, a proprietária, familiares, professores e psicóloga. A morte de Maria Suzarte foi um episódio trágico que comoveu e comove a todos devido à perda tão prematura de uma garota com uma vida inteira pela frente.
Nós temos colaborado com as investigações da Polícia Civil, que tenta esclarecer os fatos. Estamos contribuindo com a juntada de documentos e fornecendo depoimentos de pessoas que tanto tiveram convivência com Maria, bem como conhecem o seu histórico de problemas, os quais existiam antes mesmo de estudar em nosso colégio.
O que a sociedade precisa saber é que Maria era uma garota amada e querida por todos os profissionais da nossa escola, mas ela carregava uma lacuna muito grande de amor, sentimento este que nunca pudemos preencher porque a ausência dele estava em seu lar.
Maria foi vítima de uma negligência familiar muito grande, de pais que NUNCA compareceram a uma reunião escolar, pais que NUNCA participaram dos eventos da escola com os alunos, pais que NUNCA atenderam as nossas solicitações de comparecimento ao estabelecimento para tratar do comportamento da filha, pais que NUNCA sequer mandaram uma mensagem para saber “como estava a sua filha na escola”, os mesmos pais que hoje buscam transferir a culpa para nós com a perspectiva de um refúgio para se sentirem inocentes perante todos que perguntam “cadê a mãe e o pai que nunca perceberam nada na criança?”. De fato, eles não estavam lá quando Maria precisou, não estavam lá quando a escola tentou avisar e ajudar; apareceram tão somente agora, tentando incriminar quem, ao contrário deles, tentou se fazer presente na vida de Maria, jovem que, quando saía do colégio, perambulava pela cidade em vez de ir para casa, talvez porque seu lar não lhe fosse tão acolhedor.
Uma das conversas mais chocantes do tempo de Maria em nosso estabelecimento foi quando dissemos a sua mãe, Geane, que a menina queria ir embora para casa, pois não se sentia bem naquele dia, e a resposta que nos foi dada: “Ela não vai embora coisa nenhuma. Ela gosta de se aparecer e chamar atenção. Diga a ela para, mãe, esperar o pai ir buscá-la no horário da saída.”
Nossa instituição e profissionais se declaram inocentes das imputações que vem sendo alvo, por parte especialmente da Mãe de Maria. Temos uma história de trinta anos construída com muita dedicação e zelo aos nossos alunos, em que nunca fomos denunciados por nenhum crime e temos a certeza que a verdade e a justiça prevalecerá comprovando a nossa inocência. Renovamos nosso compromisso com a educação, a verdade e, acima de tudo, a justiça, para que possamos todos continuar de mãos dadas entre família, escola e sociedade como um todo buscando tornar o mundo um lugar com mais amor, afeto e com menor ódio e hipocrisia."
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