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Mulheres ainda recebem menos apoio nas campanhas — e muitas vezes tarde demais.


Mesmo com regras que garantem recursos para candidaturas femininas, a realidade dentro dos partidos ainda está longe da igualdade.


Um estudo recente revelou que mulheres — especialmente mulheres negras — podem estar recebendo menos dinheiro e com atraso durante campanhas eleitorais. Na prática, isso reduz suas chances de competir em condições justas.


Dinheiro que não chega como deveria


A pesquisa mostra que, em vez de receber verba direta para gerir suas campanhas, muitas mulheres recebem os chamados “recursos estimáveis”, como materiais prontos (santinhos, por exemplo). Isso limita a autonomia e dificulta decisões estratégicas.


Relatos de candidatas reforçam esse cenário: algumas dizem que receberam valores baixos ou materiais já definidos pelos partidos, sem poder escolher como investir na própria campanha.


Tempo também é poder


Outro ponto crítico é o atraso no repasse dos recursos. Homens — principalmente brancos — tendem a receber mais dinheiro logo no início da campanha, período essencial para ganhar visibilidade.


Já mulheres negras, por exemplo, chegam a receber várias vezes menos nas primeiras semanas. Esse atraso impacta diretamente a capacidade de montar equipe, divulgar propostas e alcançar eleitores.


Quando o dinheiro muda de mãos


O estudo também identificou um padrão preocupante: recursos destinados a mulheres e pessoas negras acabam sendo transferidos, em maior proporção, para homens e candidatos brancos.


Na prática, isso pode indicar estratégias internas dos partidos para cumprir regras no papel, mas redirecionar o dinheiro para candidaturas consideradas prioritárias.


Cotas existem — mas não garantem igualdade real


Hoje, a legislação prevê que ao menos 30% dos recursos públicos de campanha sejam destinados a mulheres e pessoas negras. No entanto, brechas nas regras permitem distorções na forma como esse dinheiro é distribuído.


Especialistas apontam que não basta ter a regra — é preciso garantir que ela funcione de verdade.


Mais do que candidatura, é sobre representatividade


Quando mulheres não recebem apoio justo, toda a sociedade perde. Menos mulheres eleitas significa menos diversidade de vozes, menos representatividade e menos avanço em pautas importantes.


Fortalecer candidaturas femininas passa por transparência, fiscalização e mudança de cultura dentro dos partidos.


Porque ocupar espaços de poder também exige condições justas para chegar até eles.

 
 
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