Moradora diz que homem em situação de rua sofre ataques constantes de jovens em carros de luxo em Belém.
- FORTE POR SER MULHER

- 14 de abr.
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Uma moradora que vive na área onde um homem em situação de rua foi atacado com uma arma de choque por dois estudantes de direito em Belém afirmou que as agressões contra a vítima acontecem com frequência e vêm se intensificando desde o início de 2026.
Segundo a polícia, os agressores foram identificados como Altemar Sarmento Filho, apontado como o autor das agressões registradas nas imagens, e Antônio Coelho, que teria sido responsável por filmar a cena.

A instituição de ensino onde os jovens estudam informou que ambos foram afastados. De acordo com a moradora, grupos de jovens chegam em carros de luxo e praticam atos de violência jogando bombinhas, garrafas e jatos de extintor de incêndio contra a vítima. Nesta segunda-feira (13), o Ministério Público Federal (MPF) abriu uma apuração para investigar o ataque cometido por dois estudantes do curso de Direito de uma faculdade particular contra o homem em situação de rua. "Situação é corriqueira”, diz moradora.
A mulher, que prefere não ser identificada, afirma que as agressões começaram ainda em janeiro. Grupos de jovens vêm gravando vídeos de “trotes” e usando o homem em situação de rua como alvo para praticar os crimes.
“Esse comportamento da vida do morador em situação de rua ser tratado como chacota em vídeo é corriqueiro, vem desde janeiro”, disse. Ela afirma que as agressões já foram registradas em boletim de ocorrência.
Moradora do bairro há cerca de dez anos, ela falou que, na madrugada de 16 de fevereiro, acordou assustada com estrondos que pareciam tiros.
“Vi um carro branco avançando na via e, em seguida, pessoas no veículo jogando uma garrafa com líquido em direção ao homem em situação de rua”, contou.
No dia seguinte, segundo ela, os ataques se repetiram de forma ainda mais violenta.
“Naquele dia, os carros voltaram e os ocupantes começaram a rir, filmar com celulares e cobrir o rosto com roupas. Um rapaz desceu com um extintor de incêndio e passou a direcionar o jato em cima do homem, enquanto outras pessoas registravam a cena em vídeo”, descreve.
A moradora disse ainda que o homem em situação de rua tem problemas de saúde mental, mas não costuma causar transtornos com quem não mexe com ele.
“Essa situação por completo me deixou muito mal. Muito mal mesmo”, desabafou.
Em nota, a Prefeitura de Belém, por meio da Secretaria Executiva de Direitos Humanos, informa que está acompanhando o caso e já acionou a Polícia Civil, além de ter notificado a instituição de ensino envolvida.
"A Prefeitura ressalta que não compactua com qualquer tipo de violação de direitos e reforça que todas as medidas cabíveis estão sendo adotadas pelas autoridades competentes. A gestão municipal está sendo agredida por estudantes de Direito.
O homem em situação de rua foi atacado com uma arma de choque em frente a uma universidade particular na Avenida Alcindo Cacela. Um dos estudantes foi levado para a delegacia e foi liberado.
Vídeos que circulam nas redes sociais mostram duas ocasiões em que um dos estudantes se aproxima da vítima, que caminhava de costas, e aplica descargas elétricas em pelo menos duas ocasiões.

Nas imagens, é possível ver os dois alunos participando da ação e rindo durante a agressão. Também informa que a pessoa em situação de rua já foi identificada", diz o comunicado. Segundo testemunhas, entregadores de aplicativo que passavam pelo local presenciaram a agressão e tentaram alcançar os suspeitos. Os estudantes correram para dentro do Centro Universitário do Estado do Pará (Cesupa), enquanto os trabalhadores foram atrás, mas não conseguiram entrar após serem impedidos por seguranças na portaria de forma hostil.
Em nota, o Cesupa lamentou o ocorrido e informou que adotou imediatamente medidas de colaboração com as autoridades policiais para a apuração dos fatos.
Segundo a instituição, os estudantes envolvidos foram afastados de suas atividades acadêmicas e foi aberta uma investigação administrativa interna.
O coordenador do curso de Direito acompanhou pessoalmente as providências na delegacia.
De acordo com a instituição, o Regulamento Geral e o Código de Ética e Conduta serão aplicados para a definição das punições cabíveis. Segundo a instituição, os estudantes envolvidos foram afastados de suas atividades acadêmicas e foi aberta uma investigação interna. O coordenador do curso de Direito acompanhou pessoalmente as providências na delegacia.
De acordo com a instituição, o Regulamento Geral e o Código de Ética e Conduta serão aplicados para a definição das punições cabíveis. MPF abre apuração e pede investigação criminal.
O Ministério Público Federal (MPF) abriu, nesta segunda-feira (13), uma apuração para investigar a denúncia do ataque. A medida foi adotada pela Procuradoria Regional dos Direitos do Cidadão (PRDC) no Pará, após a circulação dos vídeos das agressões.
Reação na Alepa
Na Alepa, a deputada Lívia Duarte (Psol) enviou ofícios ao MPPA cobrando providências da reitoria do Cesupa e também pediu abertura de inquérito criminal. A deputada classificou a agressão praticada como lesão corporal ou tortura, humilhação e aporofobia (preconceito contra pobres).
“Segundo os relatos, o ato de violência gratuita teria sido perpetrado como parte de um jogo denominado ‘verdade ou desafio’, evidenciando um completo desprezo pela dignidade humana e pela integridade física de um cidadão em estado de extrema vulnerabilidade”, argumentou.
Nos pedidos, a deputada também pediu que o MPPA solicite imagens do sistema de vigilância do Cesupa e colha o depoimento da direção do Cesupa para obter a identificação dos alunos envolvidos.
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