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Atletas de jiu-jítsu acusam professores de importunação e assédio sexual em academias de Salvador.


O tatame, espaço associado à disciplina, ao respeito e ao autocontrole, voltou ao centro do debate sobre o machismo no esporte após o registro de duas denúncias envolvendo supostos casos de importunação sexual e assédio sexual em projetos sociais de jiu-jítsu em Salvador. As ocorrências, registradas com intervalo de cinco dias no mês de maio, são investigadas pela Polícia Civil e têm como vítimas uma adolescente de 16 anos e uma atleta profissional.



O primeiro caso é apurado pela Delegacia Especializada de Repressão aos Crimes Contra a Criança e ao Adolescente (Dercca). A denúncia envolve uma ex-aluna de um projeto social que funciona em uma academia no bairro da Pituba.



Segundo o boletim de ocorrência, a adolescente afirma ter sido vítima de importunação sexual durante uma viagem a São Paulo para uma competição, no dia 1º de maio. Ela aponta como autor o professor Rudá Boaventura de Macedo.



“Aconteceu na casa de um aluno de lá. Ele fez isso quando ela estava sozinha. Perguntou: ‘Onde está o lixo?’ e apertou as nádegas de minha filha”, conta a mãe da vítima, Caroline Martins da Silva.


Caroline relata que a filha contou o episódio a colegas logo após o ocorrido e que outras alunas disseram ter vivenciado situações semelhantes.

Ela afirma ainda que, após o fato, a adolescente passou a sofrer constrangimentos dentro da equipe, perdeu o interesse pelos treinos e decidiu deixar o projeto.



Em nota, a Polícia Civil informou que a Dercca investiga uma denúncia pelos crimes de importunação sexual e injúria registrada em 20 de maio e que diligências e oitivas seguem em andamento para esclarecer os fatos. O segundo caso é investigado pela Delegacia Especial de Atendimento à Mulher (Deam) e tem como denunciante a atleta profissional de jiu-jítsu Larissa Ferreira.


No boletim de ocorrência, ela relata supostos episódios de assédio sexual, intimidação psicológica e abuso de autoridade praticados por um professor ligado a um projeto social localizado no bairro da Boca do Rio.


Segundo a atleta, o investigado utilizava a posição de liderança para constranger alunas e exercer influência sobre elas. Larissa afirma ainda que um grupo criado por integrantes da academia para compartilhar relatos sobre a conduta do professor teria motivado um treino que ela classificou como punitivo, durante o qual participantes teriam sido submetidas a técnicas de asfixia como forma de represália.


A atleta também declarou que permaneceu no projeto por anos por receio de perder oportunidades no esporte e que decidiu formalizar a denúncia após outras mulheres tornarem públicas acusações semelhantes envolvendo nomes conhecidos do jiu-jítsu. Em nota, a Polícia Civil informou que a Deam da Casa da Mulher Brasileira apura uma denúncia de assédio sexual registrada em 15 de maio. Segundo a corporação, diligências investigativas e oitivas estão sendo realizadas para o completo esclarecimento do caso.


Defesas

A reportagem procurou o advogado do professor Rudá, Rogério Matos. Por meio de áudios, Matos disse que “isso não existiu e é uma denúncia caluniosa e que, após a apuração, as pessoas envolvidas serão responsabilizadas”. “O professor Rudá já teve, ao longo de sua trajetória, cerca de cinco mil alunos e não existe uma ocorrência em desfavor de Rudá”, diz Rogério. A reportagem procurou o professor do segundo caso, mas sem sucesso. O espaço permanece aberto para eventual posicionamento.



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