Atlas da Violência 2026: Brasil registra mais de 3,6 mil homicídios de mulheres em 2024 e alerta para desigualdades raciais e violência doméstica.
- FORTE POR SER MULHER

- há 2 dias
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O Brasil registrou 3.642 homicídios de mulheres em 2024, segundo o Atlas da Violência 2026, divulgado nesta terça-feira (25). O dado corresponde a uma taxa de 3,4 mortes a cada 100 mil mulheres e revela uma queda de 6,7% em relação a 2023, quando foram contabilizados 3.903 casos.
O relatório é produzido pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada em parceria com o Fórum Brasileiro de Segurança Pública e reúne indicadores sobre violência no país ao longo da última década.
Apesar da redução recente, o estudo destaca que o volume de casos ainda é alto e persistente. Em dez anos, o Brasil acumula 46.336 mulheres assassinadas, com pico em 2017, quando a taxa chegou a 4,7 por 100 mil mulheres.
Mulheres negras seguem como principais vítimas
Um dos pontos mais alarmantes do levantamento é o recorte racial. Das 3.642 mulheres assassinadas em 2024, 2.457 eram negras, o equivalente a 67,5% das vítimas.
O dado reforça uma tendência histórica: mulheres negras seguem sendo as principais vítimas da violência letal no país, refletindo desigualdades estruturais que atravessam raça, gênero e território.
A antropóloga Débora Diniz destaca que a violência contra mulheres no Brasil tem um perfil social bem definido, atingindo principalmente mulheres negras e ocorrendo, em grande parte, dentro de casa.
Violência doméstica ainda é o principal cenário
O levantamento mostra que 35,2% dos homicídios de mulheres ocorreram dentro das residências das vítimas, mantendo o mesmo percentual registrado no ano anterior.
Segundo os pesquisadores, enquanto os homicídios fora de casa acompanham a tendência de queda da violência geral, os casos domésticos permanecem estáveis — o que indica resistência desse tipo de crime às políticas de redução da violência.
A socióloga e diretora do FBSP, Samira Bueno, alerta ainda para o crescimento das chamadas “mortes por causa indeterminada”, que podem esconder subnotificações de homicídios femininos.
Segundo ela, o aumento desses registros exige cautela na interpretação da queda geral das mortes violentas de mulheres, já que parte dos casos pode não estar sendo corretamente identificada.
Aumento de violências não letais preocupa especialistas
Além dos homicídios, o relatório aponta 293.842 mulheres vítimas de violência não letal em 2024. A maior parte dos casos (64%) ocorreu no ambiente doméstico.
Entre os destaques, estão:
Aumento de 13,8% nos casos de negligência
Crescimento de 10,8% nas notificações de violência sexual
Alta de 6,1% no total de violências não letais em relação a 2023
O estudo também chama atenção para o avanço da violência sexual contra meninas de 10 a 14 anos, que representam quase metade das notificações nessa faixa etária.
Norte e Nordeste concentram maiores taxas de homicídios
O levantamento aponta que as maiores taxas de assassinato de mulheres estão concentradas nas regiões Norte e Nordeste. Estados como Roraima, Rondônia, Ceará, Bahia e Pernambuco aparecem entre os mais afetados.
Já São Paulo registra a menor taxa do país, com 1,5 homicídio por 100 mil mulheres, mantendo trajetória de queda ao longo da última década
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Violência estrutural e desigualdade persistente
Apesar da redução geral dos homicídios, especialistas reforçam que a violência contra mulheres no Brasil continua sendo marcada por desigualdades profundas, especialmente raciais e sociais.
O relatório reforça a necessidade de políticas públicas mais eficazes e integradas, com foco na prevenção da violência doméstica, no fortalecimento da rede de proteção e na qualificação dos registros oficiais.
O Atlas da Violência segue sendo uma das principais referências nacionais para compreender a dimensão da violência no país e seus impactos sobre mulheres, especialmente mulheres negras, que permanecem no centro das estatísticas de vulnerabilidade e letalidade.
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