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“Arruma um trabalho”: homem é condenado por matar namorada de forma brutal após cobrança por emprego.


Fonte: Bnwes.com
Fonte: Bnwes.com

Matheus Anthony Lima Martins Queiroz, de 27 anos, foi condenado nesta terça-feira (14) a 31 anos e três meses de prisão por matar a namorada, Clarissa Costa Gomes, de 31, com 34 facadas dentro da casa da vítima, em Fortaleza (CE), no dia 7 de julho de 2025.

O réu, que está preso desde o crime, confessou pela primeira vez durante o julgamento que cometeu o assassinato após uma discussão motivada por cobranças para que ele arrumasse um trabalho. A confissão muda o rumo do julgamento.


Durante o depoimento no Tribunal do Júri do Ceará, Matheus afirmou que a discussão começou após o casal sair da academia, quando foi cobrado por Clarissa a procurar emprego. Segundo ele, após enviar currículos, os dois voltaram a discutir. O réu disse que ficou irritado quando a namorada permaneceu em silêncio. “Fiquei com muita raiva”, declarou, ao afirmar que perdeu o controle em seguida.

Antes disso, em audiências anteriores — de custódia e de instrução —, ele havia permanecido em silêncio e alegado confusão mental para justificar a falta de memória sobre o crime.

Defesa e acusação divergem sobre estratégia. Matheus foi defendido pelo defensor público Emerson Castelo Branco, que informou que pretende recorrer da decisão para tentar reduzir a pena. Ele assumiu o caso apenas 15 dias antes do júri, após a família alegar não ter condições de contratar advogado particular.


Já o advogado Euclides Maia, que acompanhava o caso, disse que a confissão surpreendeu a defesa. Segundo ele, a estratégia era buscar redução da pena com base em supostos problemas psiquiátricos.

“Estava certo de que ele não iria confessar. O principal motivo para que ele não confessasse na delegacia ou em juízo é que ele surtou. Ele tinha problemas mentais, testemunhas de acusação afirmaram isso, mas o juiz não permitiu que fosse feito um exame de insanidade mental”, afirmou.


“Não defendo crime algum, defendo o direito ao acusado. A única pessoa que realmente poderia dizer se era doente era um médico psiquiátrico perito.”

Ministério Público quer aumentar a pena. O promotor Carlos Pinho afirmou que vai recorrer para aumentar a pena aplicada. Para ele, a confissão ocorreu porque não havia chance de absolvição diante das provas.

Segundo o promotor, o crime teria sido motivado pela intenção de Clarissa de encerrar o relacionamento.


“Clarissa queria botar um ponto final na relação por não aceitar essa situação [desinteresse no trabalho]. Uma testemunha disse que o ouviu dizendo que não poderia perdê-la, que ela ‘sustentava’ a vida dele”, disse. Era ela quem arcava com o ônus das saídas, das viagens. Ele não fazia questão de realizar pagamentos. Clarissa estava insatisfeita porque tinha mestrado, era concursada e progrediu na vida pelos estudos. Ele, apesar de formado em curso técnico, nunca trabalhou em empregos.”


O promotor também destacou que o júri acatou como agravante o fato de a vítima ter sido atacada de surpresa. “O laudo disse que ela morreu sem chance de defesa”, afirmou.

Vítima pediu socorro antes de ser morta. De acordo com a denúncia do Ministério Público do Ceará (MP-CE), Clarissa chegou morta.


Decom o namorado por volta das 13h30 no dia do crime. Cerca de 30 minutos depois, participou de uma reunião virtual sem ligar câmera ou microfone, comunicando-se apenas por mensagens. Por volta das 15h, ela enviou um pedido de socorro. “Após o término da reunião, por volta das 15h, Clarissa mandou mensagem para uma das pessoas que estava nessa reunião em que escrevia SOS”, aponta a denúncia. A amiga que recebeu a mensagem não percebeu inicialmente a gravidade da situação.

Cerca de 20 minutos depois, vizinhos relataram ter ouvido a vítima gritando por ajuda. “Me solta, vai me matar”, teria dito.


Segundo o MP-CE, o acusado surpreendeu a vítima e utilizou uma faca guardada na geladeira para atacá-la. “Clarissa ainda tentou se defender e pedir por ajuda, sem sucesso.”O caso teve grande repercussão e foi comentado por pessoas próximas à cantora Juliette Freire, que lamentaram a morte nas redes sociais.


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