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Agente penitenciário é preso por suspeita de estupro de detentas e escancara crise na Seap na Bahia

Um agente penitenciário foi preso no último domingo (26) por suspeita de abusar sexualmente de ao menos duas detentas na unidade de custódia de Bom Jesus da Lapa, no oeste da Bahia. O suspeito, que trabalhava na unidade, foi acusado de estupro e corrupção passiva. 

Fonte: bnwes.com
Fonte: bnwes.com

De acordo com as investigações da Polícia Civil, os crimes aconteciam ao longo dos últimos três meses, em que o agente usava sua posição de autoridade para constranger as mulheres e ter relações sexuais em troca de benefícios ou sob coação dentro da unidade de custódia. O caso foi descoberto após uma das vítimas passar mal e relatar o acontecimento às autoridades.


A partir disso, exames foram realizados com as vítimas, que confirmaram as evidências do crime. Durante o cumprimento dos mandados de busca e apreensão e prisão temporária, ocorreu a apreensão de aparelhos celulares, que passarão por perícia, além de dois facões localizados com o suspeito.


O homem foi encaminhado à delegacia, onde permanece à disposição da Justiça. De acordo com a Polícia Civil, as investigações continuam em andamento para apurar o envolvimento do suspeito em outros delitos e identificar se houve outras vítimas na unidade de custódia.


Crise exposta em episódios recentes. A crise no sistema penitenciário baiano não está mais restrita a relatórios ou bastidores. Ela aparece, de forma concreta, em episódios recentes que expõem falhas graves de controle dentro das unidades administradas pela Secretaria de Administração Penitenciária e Ressocialização do Estado da Bahia (Seap).


O caso que ganhou mais visibilidade vem do Conjunto Penal de Eunápolis. Em dezembro de 2024, 16 detentos fugiram da unidade com apoio de um grupo armado. O episódio já era tratado como um dos mais graves do estado — mas ganhou outra dimensão meses depois.


Em abril de 2026, a delação da ex-diretora do presídio, Joneuma Silva Neres, trouxe detalhes de como o esquema operava por dentro. A investigação avançou e, no dia 16, a Operação Duas Rosas levou à prisão preventiva do ex-deputado federal Uldurico Júnior (MDB-BA), apontado como suspeito de articular a fuga e financiar a operação com cerca de R$ 2 milhões.


Antes mesmo da fuga, porém, o funcionamento interno da unidade já levantava questionamentos. Um dos episódios envolve a entrada de um caixão no presídio — sem registro na portaria. O velório foi autorizado dentro da unidade, a pedido ligado a um interno apontado como braço direito da liderança do Primeiro Comando de Eunápolis (PCE).


Os relatos reunidos pelo Ministério Público da Bahia indicam que a liberação não foi exceção. Dentro da unidade, havia circulação livre entre pavilhões, acesso às próprias chaves das celas, entrada de eletrodomésticos e realização de festas. Em uma delas, no Dia da Consciência Negra, internos circularam com facas e facões enquanto as celas permaneciam abertas.


Também há registros de visitas sem controle e reuniões realizadas sem qualquer supervisão. Testemunhas afirmam que pessoas acessavam o presídio sem revista ou cadastro e se encontravam com lideranças internas em salas fechadas.

Meses depois, a fuga aconteceu. Em outra frente, o sistema também mostra sinais de esgotamento fora das grandes unidades.


A transferência de mais de 20 presos da delegacia de Ubatã, determinada pelo Tribunal de Justiça da Bahia, escancara a superlotação em espaços que não foram projetados para custódia prolongada.Os detentos, presos por crimes como homicídio, tráfico e estupro de vulnerável, estavam mantidos em condições precárias. Parte deles foi encaminhada ao Conjunto Penal de Jequié, em uma tentativa de aliviar a pressão.

 
 
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