Adolescente de 12 anos vítima de estupro coletivo teve medo e vergonha de contar à família: 'Ela recebe tapa na cara'.
- FORTE POR SER MULHER

- há 2 dias
- 3 min de leitura

A adolescente de 12 anos que denunciou ter sido vítima de um estupro coletivo, praticado por oito adolescentes, voltou para casa após ser violentada, mas não contou à família sobre o que tinha acontecido por medo e vergonha. Segundo a polícia, o vídeo do crime começou a ser compartilhado e vendido nas redes sociais, e as imagens acabaram chegando à mãe da vítima, que procurou a delegacia. O crime aconteceu no dia 22 de abril, mas a denúncia só foi registrada na Delegacia de Atendimento à Mulher (Deam) de Campo Grande, no Rio de Janeiro, na última quarta-feira (13).
“Ela não contou, né? Um dos responsáveis de algum aluno da escola levou diretamente para a mãe dela e aí foi quando a mãe dela ficou sabendo e foi perguntar a ela”, disse uma irmã da vítima por parte de pai. Um dos menores envolvidos no estupro chegou a vender o vídeo por R$ 5. Ainda segundo a irmã, no dia do estupro, a adolescente chegou roxa em casa, falando que estava com cólica. "Ela botou até compressa de água quente na barriga, então a mãe não desconfiou, e como ela sempre foi muito quieta, sempre foi de falar pouco, né, a gente, a mãe dela não maldou.”
A Delegacia de Atendimento à Mulher (Deam) de Campo Grande recebeu a denúncia na quarta-feira passada (13). O crime aconteceu no dia 22 de abril. “Depois de muito a mãe dela insistir, ela falou que foi encontrar um namoradinho, que já tinha marcado com ele. E aí, chegando lá, não era só ele, e depois ainda chegaram mais meninos. Eles se conheciam, são todos amigos”, acrescentou a irmã.
Segundo a polícia, a vítima, se relacionava com um adolescente. Ele a chamou para ir à casa dele, na Estrada do Tingui, em Campo Grande, na Zona Oeste, mas, ao chegar lá, ela foi surpreendida por outros sete jovens. Todo o crime foi gravado por eles. “Pelas imagens do vídeo, dá pra ver que ela recebe tapa na cara, na lombar, ela fica machucada.
O que choca muito é que a menina tem 12 anos, e os envolvidos têm entre 12 e 16. Então, choca muito tanto a tenra idade dessa menina quanto também dos envolvidos, como esse ato é praticado e as consequências para a vida dessa menina”, fala a delegada Fernanda Caterine, da Deam.
Os agentes da Deam identificaram os oito menores envolvidos no crime. A Justiça determinou a apreensão e a internação provisória de todos. Seis já foram apreendidos. A polícia ainda procura os outros dois. “Nós prosseguimos com diligências físicas, tentando apreender outros dois faltantes, e também diligências eletrônicas. Então, quem de alguma maneira armazenou, divulgou, ainda que não sejam os envolvidos, eles vão também sofrer uma reprimenda penal”, falou a delegada.
A Justiça também determinou a apreensão de computadores e celulares dos jovens. Nas imagens, desfocadas por envolver menores de idade, é possível ver os adolescentes comemorando o abuso. “É verdade, um deles estava vendendo por R$ 5. Quer dizer, a imagem dessa menina, a exposição da intimidade dessa menina, valia R$ 5”, destacou a delegada. A irmã considera que a Justiça está agindo com celeridade no caso. “A Justiça está fazendo a parte dela, foi muito rápida. A Deam tá sempre do lado das mulheres e nos ajudando. Será que realmente eles vão ser reeducados? Será que dá pra reeducar alguém?”, questionou a irmã.
_edited.jpg)



